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REAÇÃO DO SETOR AUDIOVISUAL AFRICANO À PANDEMIA DA COVID-19

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2020. A disseminação do novo coronavírus impactou de forma significativa a indústria cinematográfica de pelo menos três países do continente africano, causando efeitos alarmantes em diferentes segmentos da cadeia audiovisual. O texto a seguir encerra o ciclo de artigos dedicados a compreender a repercussão das medidas de prevenção do contágio sobre o ambiente de produção dos territórios abordados.

 

AFRICA DO SUL: Até 19 de março, as normativas sobre o funcionamento de salas de cinema versavam sobre o horário de exibição (entre 12 e 18h), sobre distanciamento (separação de dois assentos) e capacidade máxima da sala (100 ingressos vendidos). Com o anúncio do lockdown em 24 de março, as exibições foram suspensas, levando preocupação aos administradores das salas.

No dia 3 de maio, o governo sul-africano sinalizou através de emendas regulatórias o início do relaxamento das regras de quarentena fixadas nos meses anteriores. Com isso, uma parte do comércio e setores da indústria retomaram suas atividades. Entre os setores contemplados, está a indústria audiovisual. O governo deixou a cargo das emissoras de televisão estabelecer uma estratégia de segurança sanitária para as equipes de produção.

Desde 4 de maio, estúdios de Johannesburgo, Durban e Cidade do Cabo recomeçaram seus projetos, com destaque para as novelas e séries de drama que são exibidas no horário nobre. Desde março, está em vigor uma determinação governamental que define que as companhias de radiodifusão devem colaborar na emissão de informações úteis à população, portanto é possível que as produções já retomadas passem a abordar mensagens sobre a Covid-19, como forma de conscientização da audiência.

Uma das esperanças do reerguimento do país como polo de produção audiovisual é o já implementado – e bem-sucedido – programa de incentivos. A África do Sul oferece às produções estrangeiras o rebate de 25% em todos as despesas locais qualificados segundo critérios, aumentando para 30% se serviços de pós-produção forem realizados no país usando uma empresa de propriedade de indivíduos negros. O desconto para as co-produções sul-africanas começa em 35% em todos os gastos locais qualificados, com 5% adicionais disponíveis para produções que atendem a certos requisitos para a contratação de chefes de departamento negros e contratação de serviços por empresas pertencentes a negros. Ambos os incentivos estão limitados a 50 milhões de rands (US $ 2,8 milhões). Para produções que atendem aos requisitos do incentivo emergente para cineastas negros, o desconto sobe para 50%.

 

NIGÉRIA: Desde que o lockdown de 14 dias foi anunciado, em 30 de março, as filmagens e estúdios nigerianos foram paralisados, levando apreensão aos trabalhadores de Nollywood. A indústria audiovisual nigeriana movimenta cerca de US$ 612 milhões anualmente, e emprega 1 milhão de técnicos e artistas.

A associação de exibidores, Cinema Exhibitors Association of Nigeria (CEAN), externou a preocupação sobre as bilheterias, uma vez que o segmento das salas de cinema já havia contabilizado a queda de 30,65% nas receitas estimadas de janeiro a março de 2020. Alguns veículos de comunicação reportam que os administradores de salas se espelham na prática de seus colegas da Europa e dos Estados Unidos, e se preparam para o momento pós-pandemia, antes mesmo de qualquer diretriz oficialmente ratificada pelo governo local. Os principais complexos utilizam suas contas de mídias sociais para manter os espectadores cientes das precauções que se tornarão necessárias: verificações obrigatórias de temperatura, uso de máscaras, distanciamento social coordenado em saguões e auditórios e desinfecção das salas após cada sessão.

De todo modo, a emergência do novo coronavírus é também inspiração aos realizadores do país. O diretor de animação Niyi Akinmolayan lançou um vídeo direcionado ao público infantil sobre o combate à ameaça do vírus, que foi distribuído gratuitamente na internet e traduzido em mais de cinco idiomas.

 

QUÊNIA: A Kenya Film Commission anunciou a criação de um fundo nacional de emergência à indústria audiovisual local, buscando reduzir o impacto econômico negativo do COVID-19. A intenção é estimular a produção de conteúdo informativo sobre o coronavírus e difundí-lo nos 47 condados que formam o país. São elegíveis projetos que envolvam ao menos um produtor, diretor, membro do elenco ou da equipe técnica queniano(a), no formato de curta-metragem com duração de 3 a 5 minutos.

 

Prezado(a) leitor(a), agradecemos por nos visitar. Caso tenha alguma colaboração ao artigo, não hesite em nos enviar: info.rfc.riofilme@gmail.com

 

Fontes consultadas:

https://allafrica.com/stories/202005040065.html

https://www.channel24.co.za/TV/News/sas-film-and-tv-industry-back-to-work-amid-covid-19-without-extras-or-studio-audiences-20200504-2

https://www.channel24.co.za/Movies/News/coronavirus-and-the-cinema-how-local-cinemas-are-taking-precautions-20200316.

https://edition.cnn.com/2020/04/30/africa/coronavirus-animation-nigeria/index.html

https://en.as.com/en/2020/05/27/other_sports/1590563775_896588.html

https://guardian.ng/life/nigerian-cinemas-prepare-for-post-covid-19/

https://www.gov.za/sites/default/files/gcis_document/202003/43164gon-417.pdf

http://kenyafilmcommission.com/

http://sportsheritage.go.ke/stimulus-package/film-makers/

https://variety.com/2020/film/spotlight/south-africa-incentives-business-coronavirus-pandemic-1234599455/

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